Amarelo não é cor de pele: psicanálise e identidade racial no Brasil
No Brasil, o debate racial tende a se organizar em torno da polaridade negro-branco. Mas onde entra a identidade amarela nessa conversa? E o que a psicanálise tem a contribuir para essa reflexão?
A racialidade não é um dado biológico, mas uma construção simbólica que nos posiciona no laço social. A psicanálise, ao se interessar pelos processos de subjetivação, não pode ignorar como a raça nos constitui — inclusive em seus silêncios e apagamentos.
Para corpos amarelos no Brasil, a experiência racial é frequentemente marcada por uma ambiguidade: nem brancos, nem negros, ocupamos um lugar de "meio-termo" que muitas vezes serve para invisibilizar nossas experiências específicas de racialização.
Na clínica, isso comparece de muitas formas: na dificuldade de nomear o próprio lugar racial, na sensação de não pertencimento, na internalização de estereótipos. A escuta analítica precisa estar atenta a essas questões — não como "temas", mas como estruturantes do sujeito.
Uma psicanálise que se pretenda viva não pode se furtar a esse debate. Racialidade é assunto de analista, sim. Porque o inconsciente não é daltônico.
