Manifesto
Por que falar de psicanálise hoje?
Vivemos em uma época que nos ensina a produzir respostas rápidas. A psicanálise insiste em outra direção. Ela aposta no tempo da pergunta.
Estamos submersos em uma cultura que valoriza a produtividade acima de tudo, que transforma o sofrimento em falha individual, que promete soluções em cinco passos e felicidade em trinta dias. Nesse cenário, a psicanálise é um contraponto radical.
Não porque oferece respostas melhores — mas porque sustenta a legitimidade da pergunta. Porque escuta o que não se encaixa. Porque acolhe o que a produtividade insiste em descartar: a dúvida, a angústia, o desejo, o mal-estar.
A psicanálise aposta naquilo que não cabe em algoritmos. Naquilo que ainda não sabemos sobre nós mesmos.
Este site nasce desse lugar. Não como um manual de autoajuda, não como um consultório virtual anônimo — mas como um espaço de pensamento. Um lugar onde a psicanálise se encontra com a literatura, com a cultura, com a racialidade, com os estudos de gênero. Um lugar onde o saber não se impõe, mas se oferece ao encontro.
Acredito em uma psicanálise viva. Que não se protege atrás de jargões, que não se pretende ciência dura e imutável, que se deixa atravessar pelas urgências do mundo. Uma psicanálise que escuta o que a sociedade recalca: o racismo, o sexismo, as violências estruturais que adoecem.
Acredito também na transmissão. Na importância de que o saber psicanalítico circule — para quem quer se analisar, para quem quer clinicar, para quem simplesmente quer pensar com mais profundidade sobre a experiência humana.
Se você chegou até aqui, talvez algo ressoe. Talvez uma pergunta esteja se formando. Isso já é análise.
— Tábata Yokomiso
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