Feminilidades em trânsito: o que o cinema nos ensina sobre ser mulher?
O cinema sempre foi um dos meus interlocutores preferidos para pensar a psicanálise. E quando o tema é feminilidade, as telas oferecem um campo vasto de investigação.
Da femme fatale do noir à protagonista complexa do cinema contemporâneo, as representações do feminino dizem muito sobre o que cada época está disposta a ver — e a recalcar.
"Retrato de uma Jovem em Chamas" (Céline Sciamma) é um dos filmes que melhor captura a relação entre olhar, desejo e memória. "A Criada" (Park Chan-wook) subverte expectativas sobre poder, classe e agência feminina. "Que Horas Ela Volta?" (Anna Muylaert) coloca em cena as tensões de gênero, raça e classe que estruturam o cotidiano brasileiro.
A psicanálise, quando se deixa interpelar pelo cinema, ganha concretude. Os conceitos deixam de ser abstrações e se encarnam em cenas, em corpos, em olhares.
