Como ler Balint sem enlouquecer
Michael Balint é um daqueles autores que todo psicanalista ouviu falar, mas poucos leram com a atenção que merece. Médico e psicanalista húngaro, discípulo de Ferenczi, Balint desenvolveu uma obra que articula medicina, psicanálise e uma sensibilidade clínica incomum.
Seu conceito mais conhecido — a "falta básica" — descreve uma falha precoce na relação entre o bebê e seu ambiente, anterior à conflitiva edípica. É uma falta que não se inscreve como conflito, mas como ausência: algo que deveria ter estado lá e não esteve.
Para ler Balint sem enlouquecer, sugiro começar por "O Médico, seu Paciente e a Doença" — um livro acessível que introduz sua abordagem da relação médico-paciente. Depois, "A Falta Básica" aprofunda o conceito e o articula com a clínica psicanalítica.
A chave para entender Balint é não tentar enquadrá-lo em esquemas muito rígidos. Sua escrita é clínica, não sistemática. Ele pensa a partir da experiência, e é preciso ler com a mesma disposição.
Referências
- BALINT, Michael. O Médico, seu Paciente e a Doença. São Paulo: Atheneu, 2005.
- BALINT, Michael. A Falta Básica: aspectos terapêuticos da regressão. Porto Alegre: Artmed, 1993.
