Caderno de Estudos
Artigo14 de fevereiro de 2026

Gênero e psicanálise: para além do Complexo de Édipo

GêneroTeoriaLacan

A relação entre psicanálise e gênero é, no mínimo, tensa. As críticas feministas à teoria freudiana — especialmente ao Complexo de Édipo como organizador da diferença sexual — são pertinentes e precisam ser levadas a sério.

No entanto, a psicanálise pós-freudiana oferece recursos para pensar o gênero de forma mais complexa. Lacan, ao desbiologizar o falo e tratá-lo como significante, abre caminho para uma compreensão do gênero que não se reduz à anatomia.

Judith Butler, filósofa e teórica queer, dialoga criticamente com a psicanálise. Sua noção de performatividade de gênero pode ser posta em conversa com a ideia lacaniana de que a posição sexuada é uma escolha — não no sentido consciente, mas no sentido de uma assunção subjetiva.

A clínica psicanalítica contemporânea precisa acolher a diversidade de experiências de gênero sem patologizá-las. Isso não significa abandonar a teoria, mas relê-la com olhos atentos às suas limitações históricas.

Referências

  • BUTLER, Judith. Problemas de Gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
  • LACAN, Jacques. O Seminário, livro 20: Mais, Ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Zahar, 2008.